sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Uma "Caldeirada" cinco estrelas. (Parte II)

Olá uma vez mais caras e caros leitores. Estão a gostar do blogue até agora? Ainda bem! Regressamos então ao relato da experiência que foi a nossa - quando falo em nossa refiro-me a mim e à Mara, co-autora deste blogue - estadia no Hotel Pestana Vila Sol, em Vilamoura. Como já indicámos no post anterior (que podem ler aqui) lá conseguimos ganhar uma das noites no Hotel, assim como o jantar incluído na experiência gastronómica "Cozinha a 6 Mãos". 

Muito embora eu até seja residente no Algarve, estas oportunidades não são de jogar fora, ainda para mais não sendo (pelo menos por enquanto, assim espero) algo que possamos fazer com frequência. Contudo, sejamos honestos sobre um facto: nós não passamos de um jovem casal cujos pais pertenceram em tempos à extinta “classe média” (RIP), pouco habituados a estes luxos. Talvez por isso haja sempre aquele receio de “parecer deslocado” e ser olhado de lado, até porque sabemos que as pessoas que frequentam estes locais são autênticos Cacos Antibes. Mas, como me dizia alguém hoje por causa do post sobre a oferta da Lipton, “uma oferta não é uma esmola" e, por isso, não há que ter vergonha de nada e lá fomos nós para para o Hotel.

Imagem aérea do Hotel

Depois de uma pequena passagem pelo Escritório onde fiz o estágio para ir buscar alguma correspondência (contas para pagar, pois claro) lá seguimos no meu Seat Ibiza velhinho e com algumas amolgadelas para o Pestana Vila Sol. Como qualquer bom resort, também este fica assim para o isolado, não vá algum pobre passar por lá por engano importunando assim o dia-a-dia dos ali hóspedes. Parece exagerado, eu sei ... e na verdade até o é, mas como o destino tem o seu quê de sentido de humor quis que, logo à chegada, tivéssemos o nosso "reality check" e nos cruzássemos com um daqueles carros descapotáveis de luxo que me ultrapassam com frequência na Via do Infante (agora menos vezes, não porque eu ande mais depressa mas porque já não uso a Via do Infante). Mas nem tudo é mau ... enquanto o condutor do bólide ia sozinho no carro eu ao menos levava companhia no meu e sei que o Seat está pago.

Foto de uma lateral do Edifício Principal
Depois de estacionarmos, entrámos então no edifício principal do Hotel para tratar do check in. Correu tudo  como seria de esperar e foi-nos indicado o funcionário do hotel que nos levaria ao nosso quarto. E é aqui que as coisas começam a ficar esquisitas: ver uma pessoa, sensivelmente da minha idade, a carregar-me a mala tendo em conta que eu estou de perfeita saúde é algo que me faz alguma confusão. Menos mal, sabia que era o trabalho dele e não o ataquei como se de um meliante a tentar roubar-me a mala se tratasse.

Seguimos então o também ele jovem que, carregando a mala, nos encaminhou porta fora até à frente do Hotel e, para nossa surpresa, meteu a mala na parte detrás de um carrinho de golfe e convidou-nos a subir. "Oh Diabo, será o hotel tão grande que temos que andar de carrinho de golfe? E depois quando for para vir jantar como é que fazemos? Mandamos vir o carrinho buscar-nos?" - foram algumas das questões que me passaram no momento pela cabeça. Aproveitando o percurso para nos dar algumas indicações, o jovem que nos conduzia perguntou-nos se tínhamos deixado o carro no parque de estacionamento exterior. Tendo dito que sim ele avisou-nos que o poderíamos colocar na garagem do Hotel, que atravessámos com o carrinho de golfe. Ao ver os bólides lá estacionados, cada um deles mais caro que o outro, pensei cá para mim que o meu carro podia apanhar um pouco de chuva sem problema ... isso e só a ideia de riscar um carro daqueles assustava-me de morte.

Pouco depois passámos junto à piscina interior. Embora não tivéssemos a certeza de que a nossa estadia incluía a ida à piscina, arriscámos levar os fatos de banho. Aproveitámos então para perguntar se podíamos usar a piscina, tendo-nos sido dito que sim. Sucesso! Os fatos de banho não foram em vão!


Chegados ao espaço onde estavam os quartos, numa espécie de quartos térreos com acesso a um caminho de um lado e ao jardim do outro, o jovem que nos tinha conduzido ao local levou a mala lá para dentro e retirou-se depois. Ao encerrar a porta fui rápido o suficiente para evitar que desse tempo criar-se aquele momento chato em que eles dão a entender que lhes devíamos dar uma notinha pelo seu trabalho. Se estiveres a ler isto, apesar do meu bom aspecto, ganhei a estadia ai num passatempo, por isso não leves a mal pah.

Depois disto, foi altura de dar uma vista de olhos pelo quarto e apreciar o ambiente ...


E, já agora, por curiosidade, ver o preço das coisas. A água, como podem ver ao lado, era 5€. Ainda bem que passámos primeiro pelo Lidl para ir comprar uma garrafa de água e umas bolachas para o lanche, hum? Mas pronto, faz parte da vida e só bebe quem quer ...

Demos também uma vista de olhos pelo preçário do Mini-Bar. Os preços são, como de costume, inflacionados. Sinto-me sempre tentado a levar coisas de casa, comer as do hotel e substituir pelas coisas que levei. Assim sinto que saio de lá com lucro sobre o hotel , mas depressa me apercebo que não vale a pena o esforço.

Depois de confirmadas as condições do quarto que, não fosse uma teia de aranha no tecto, estaria impecável, fomos dar um pulo à piscina aquecida. E deixem-me dizer-vos: nada diz "luxo" como estar frio, vento e chuva cá fora enquanto nós damos umas braçadas numa piscina aquecida interior e com a vantagem de podermos ver o exterior devido ás paredes de vidro.

Duck Face propositada. Sim, "that's how silly you look".

No entanto, foram também estas paredes de vidro que me permitiram ver que, enquanto eu estava lá dentro a relaxar, lá fora havia quem trabalhasse. Afinal de contas, era uma segunda-feira à tarde e as pessoas (as que têm ainda a sorte de ter um emprego) trabalham. "Ah", o homem de esquerda que tenho de mim começou logo a dar de si - "Devias era estar ali ao lado do povo em vez de aqui dentro, junto desta malta do capital!". Afinal de contas, eu próprio tenho raízes proletárias e senti-me, por uns momentos, um traidor da classe. 

Mas depois o Jacuzzi ficou vazio, fui lá para dentro e os remorsos passaram. 

Ainda ficámos mais um bom bocado na piscina, tendo regressado ao quarto apenas a tempo de um banho para tirar o que quer que utilizassem para manter a água das piscinas em condições. Depois estava na hora de jantar. Mas o relato desse emocionante momento, deixarei a cargo da Mara.

EDIT: A Mara, que pelos vistos percebe mais de carros que eu, identificou o carro. É este.
Ass. Cunha

1 comentário:

  1. Para quem não sabe o carro com que nos cruzamos é este: http://www.carsvw.com/wp-content/uploads/2011/11/Gallardo-Spyder.jpg

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