terça-feira, 21 de maio de 2013

Do empreendedorismo juvenil, jovem e jovem adulto

DISCLAIMER: 
Eu, Mara Bel., não tenho nada contra o jovem de nome Martim e até acho que se ele é feliz e faz dinheiro, só deve é continuar. Este post é especificamente dirigido às pessoas que defendem posições económicas obstusas e nem sempre sabem do que falam, calhou ser a propósito do infeliz episódio onde o rapaz se viu metido (a saber ainda de quem é a culpa).
Isso e porque me apetece embirrar com cenas hoje porque me dói a cabeça.


Chegámos àquela fase da crise, gloriosa fase, em que os exemplos de empenho e lealdade à nação economia portuguesa parecem brotar do solo quais cogumelos selvagens com um cheirinho de chuva. Há uns anos eram as agências imobiliárias, há uns meses eram as lojas de compra de ouro a dinheiro, mais recentemente são os jovens empreendedores.
Parece que, contaram-me, eu ainda não tive o prazer de verificar pessoalmente (mas até é mais giro assim, porque posso supor coisas sem me virem logo dizer que meti coisas na boca do rapaz, ainda por cima um jovem que é menor de idade e com essas coisas não se brinca), foi ontem beatificado mais um piedoso exemplar português para o altar da economia nacional. Diz por aí que o rapaz tem um negócio de roupa, e diz no site dele (que podem ir verificar – têm a minha bênção) que o jovem é não só fundador como designer e CEO, actividades em part-time que alegremente partilha com os normais afazeres académicos da sua idade. Agora, um pouco de maledicência: quer-me parecer a mim que o rapaz é um talentoso e brilhante designer utilizador do Office, mais propriamente do Word, e é também um criativo pensador de markting utilizador básico da língua inglesa. Mas estas duas virtudes são boas, porque vivemos num país onde ser Dr. ou Professor Doutor, ou todos os graus académicos intermédios, é a raiz de todo o mal e a culpa última para o estado da economia, da cultura e quem sabe da saúde em Portugal…
Polémicas à parte, já me disseram que personalidades houve que criaram um celeuma em volta do puto ainda este se levantava para falar e dizer que qualquer coisa sobre os salários mínimos, como eram algo importante estarem estabelecidos por lei ou assim, não fossem os patrões lembrarem-se que sempre era melhor “receber uma refeição como pagamento do que morrer de fome”… Se calhar não foi isto, e se calhar estou a inventar um pouco, mas vocês percebem a ideia…
Sei que este espaço não é bem o espaço de crónica e crítica social e política, e económica e blá blá blá, mas mesmo assim há que pôr os pontos nos “is” (eu, pessoalmente, prefiro bolinhas, mas o Mário acha que é piroso, por isso, pintas será…). Em primeiro lugar, este jovem levou-me a pensar no título do que escrevo, porque claramente se integra no campeonato juvenil da coisa de empreender, é que há malta que já cá anda há muito mais tempo, aparentemente sem resultados dignos de tempo de antena e não é por falta de vontade… Por outro lado, é juvenil porque eu conheço uma resma de lojas que imprimem t-shirts e nem por isso cada empresa que manda fazer brindes vai à televisão dizer que é o pináculo da criação económica. 
Em segundo lugar, ser empreendedor é muito bonito, como bonito é criar o nosso próprio emprego, coisa que qualquer profissional liberal ou empresário em nome individual sabe que é o cabo dos trabalhos e que não é a bater [punho] contra as paredes que a coisa funciona.
A verdade mantém-se como sempre à tona, porque será de madeira, ou de cortiça que está mais na moda (diz que é uma coisa boa de empreender também, cenas de cortiça, a NASA curte), mas sempre flutua e é muito simples, quem não tem o apoio certo (dos paizinhos ou dos padrinhos) por trás não começa porra nenhuma, nem abre negócio nenhum, nem coisa que o valha, muito menos é “empreendedor e tal”… com 16 anos… nesta conjuntura económica…

Sei lá, é uma sensação que eu tenho… Mas o que é que eu sei, eu só tenho um curso superior, em Direito, na menção de ciências jurídico-económicas, o que é que eu percebo de crises e de empreendedorismo? Manias que uma pessoa apanha de falar das cenas sem saber…


Ass: Mara Bel.

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