terça-feira, 1 de julho de 2014

MED 2014 – 1º Dia - Viagem ao Mundo em Algumas Horas


Entrada do Med
“O MED surgiu em 2004, no âmbito do programa de “Loulé, Cidade Anfitriã” do Euro 2004, numa tentativa de concretizar um festival de “música diferente e único”, que potenciasse a promoção do concelho e permitisse qualificar e diversificar a oferta turística, bem como revitalizar a zona histórica da cidade.”
Extraído do folheto do Festival MED 2014

O Festival MED cumpriu este ano a sua 11.ª Edição e continua em força com a aposta na diversidade cultural que só a música do mundo pode oferecer. Obviamente que, às vezes, essa diversidade acaba por nos espantar pelo rumo que toma, nos antípodas daquilo que estávamos à espera. Com artistas dos mais variados fundos culturais e étnicos chega a ser surpreendente quando uma banda do Mali (Debademba), um país africano, entra em palco com guitarras e não tambores… E vocês vão dizer “ah isso é porque tu és racista, porque é que os senhores do Mali não podem tocar outra coisa que não tambores?” É verdade, mas ainda hoje vi uma banda de heavy metal só com senhores do Sri Lanka e admito que me fez alguma comichão. Não é porque os senhores do Sri Lanka não possam gostar de ser metaleiros, é só porque vinga em mim (e possivelmente na maioria das pessoas que estão a ler isto, embora neste momento jurem a pés juntos que é mentira, que têm uma mente muito aberta e visionária e que nunca pensaram sequer em estereotipar o senhor metaleiro com branco, gadelhudo e vestido de preto) uma ocidental falta de hábito de pensar que outros países, nomeadamente africanos e asiáticos, possam gramar à brava tocar guitarras eléctricas… portanto, não é uma questão de racismo, é uma questão de preguiça mental, o que também não abona muito a meu favor, mas ao menos não parece tão mal (neste momento a maioria das pessoas que estão a ler isto até está a acenar que sim com a cabeça, porque a elas próprias já não parece tão mal pensar assim).

Bomba Estéreo
Outra coisa em que houve desacordo nas previsões foi Bomba Estereo, da Colômbia. O Mário disse que devia ser Hip Hop e eu disse que era capaz de ser Reggaton. No fim de contas acabámos por descobrir que esta banda parecia ser uma versão latina e sul-americana daquilo que cá seria Buraka Som Sistema. Obviamente que também não estávamos à espera e mais depressa punha os senhores do Mali a fazer Kuduro electrónico do que os senhores da Colômbia, que esperava trazerem flautas de pã… Isto é o que faz uma pessoa ir à descoberta do maravilhoso e do fantástico em vez de fazer o trabalho de casa. Mas também há quem diga que assim é mais divertido, pelo menos mais surpreendente… (nos outros dias, a curiosidade matou o gato antes de ser o susto a fazê-lo, mas isso fica para depois).

Para terminar com as surpresas, que as outras bandas já eram mais ou menos aquilo que sempre foram – Ala dos Namorados e Primitive Reason, por exemplo – terminámos com a grande e feliz descoberta em português. Ai! é o tipo de coisa que uma pessoa diz quando lhe pisam o dedinho do pé (aquele que só serve para ser pisado e bater nas quinas dos móveis) e que aparece nas palavras cruzadas como a definição de lamento em duas letras. Perante estas ideias, qualquer português normal assumiria imediatamente que uma banda chamada Ai! era sinónimo de fado, porque, convenhamos, a premissa é mais ou menos essa (o Mário está aqui a mandar vir comigo a dizer que ele não achava nada que era fado e que essa ideia é maluquice minha). Mas afinal não, Ai! é muito português, mas mais castiço e tradicional, no sentido mais étnico que ainda é possível ter por cá.

Primitive Reason
Resumindo, o MED tem sempre esta vertente “surpresa” que nos leva a descobrir bandas catitas, que de outro modo passariam completamente despercebidas. Por isso, o União de Factos aconselha a quem também gosta de unir factos desencontrados a dar um pulinho ao MED no ano que vem, talvez venham de lá com umas coisas engraçadas para mostrar aos vossos amigos. Nós por cá ficamos a fazer uma reza para ainda vermos ao vivo esse grande artista que é Sandu Ciorba.

Disclaimer: O Mário manda que se faça público e informa que não tem nada a ver com este artigo e não aceita qualquer responsabilidade profissional ou artística pelo seu conteúdo e/ou afirmações. Poderá ou não partilhar de algumas das opiniões expressas, contudo não aceita qualquer vinculação às mesmas agora ou no futuro.

Disclaimer 2: É isso que está aí em cima menos na parte em que é para dizer que a minha pessoa é maluca, isso ele já diz que lhe pode ser atribuído.

Texto de Mara Beldroegas
Fotografias de Mário R. Cunha

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