segunda-feira, 7 de julho de 2014

Rumo a Tavira: Espalhar sorrisos pelo mapa

São Brás de Alportel, apesar de ser uma “pequena” vila do interior, tem até bastantes caches disponíveis, motivo pelo qual optámos, naturalmente, por começar no “nosso quintal” as primeiras experiências nesta actividade outdoor que é uma espécie de caça ao tesouro do séc. XXI.

Assim, depois de termos completado grande parte das caches no nosso concelho, e após umas pequenas e rápidas incursões nos arredores para preencher algumas lacunas e espalhar mais uns sorrisos pelo mapa de Geocaching, que está sempre a “crescer” em quantidade, decidimos ir mais longe – embora não muito, que a gasolina está cara – e planeámos uma incursão à bela cidade de Tavira.

Como de costume, delineámos com a devida antecedência o que iríamos fazer para que pudéssemos optimizar o tempo e a viagem. O objectivo eram dez caches, cuidadosamente planeadas ao longo de uma rota que nos levava até ao coração de Tavira. Seguimos então, logo de manhã, estrada fora em direcção à cidade que tem o recorde de número de Igrejas. 

A primeira cache do dia surgiu antes ainda de chegar à cidade propriamente dita, na berma da estrada N270. A cache, de seu nome WTF? (GC42W7N) surgiu com facilidade e marcou o ritmo que haveríamos de manter durante o resto do dia. À primeira vista esta cache não nos leva propriamente a um local particularmente interessante ou com uma bela vista, mas os olhares mais atentos aperceber-se-ão de uma construção na vizinhança bastante peculiar.

A Mara a deixar o seu log.
Depois de uma rápida pausa para meter o protector solar que o dia pedia – a exposição ao sol não é só perigosa na praia – avançámos em direcção a Santa Margarida. Santa Margarida é, não apenas o nome da localidade, mas também da cache (GC29E08) que nos dá a conhecer um local que foi em tempos um espaço privilegiado de culto e romaria. Contudo, a capela está agora votada ao abandono e restam apenas as memórias de um local que reunia centenas de pessoas, unidas pela sua devoção. Com a ajuda da dica e de alguns logs já feitos, esta cache surgiu também com facilidade, permitindo fazer o segundo log do dia.

Seguindo a estrada, avançamos até à cache Famous 5 (1) (GC1GJV3), situada no Alto do Perogil. Apesar de na descrição constar a promessa de belas vistas, a verdade é que talvez esta promessa seja apenas verificável noutra altura do ano, já que os tons castanhos dominavam agora a paisagem, que não era particularmente atractiva. Depois de alguns minutos a queimar tempo devido à presença de alguns muggles – expressão que os geocachers utilizam para descrever as pessoas que não se dedicam à actividade e que teve a sua origem nos livros do Harry Potter – lá conseguimos fazer a cache, ficando assim prontos para avançar.

E assim o fizemos, em direcção à “Uma Nora na Rotunda (GC33XTK)”. À semelhança do que acontece com a de São Brás de Alportel, a cache não está realmente na rotunda, pelo que não se precisam de preocupar com a ideia de terem que andar no meio da rotunda à procura. No entanto, há ainda assim que contar com a dificuldade acrescida de uma cache que está escondida junta a uma estrada bastante movimentada. Aqui há três opções: fazer a cache de noite, quando há menos trânsito; entrar modo ninja, que, a não ser que sejam realmente ninjas vai dar demasiado nas vistas ou, por fim, a minha preferida – agir como se fosse tudo muito natural. Assim ninguém vai dar conta de que vocês estão sequer lá … é a antiga ideia de que as coisas melhor escondidas estão à vista de todos! E foi colocando esta terceira via em prática que fui buscar o container da cache em causa, par que pudéssemos logar no conforto do “cachemobile”. Reposto o container ao seu “ninho”, seguimos viagem até ao Tavira Plaza, onde aproveitámos para recuperar energias, ver as vistas e esperar que as horas de maior calor passassem, evitando assim problemas como a insolação e a desidratação. 

Não foi senão já perto das 15:30 que, no exterior ainda que mesmo “colados” ao centro comercial, fomos fazer a cache da ECOVIA do LITORAL - Fim do Troço Urbano de Tavira (GC36VAD). Uma vez mais, com a devida atenção aos muggles que estavam nos arredores e ao trânsito que passava constantemente, assim como ao lixo que infelizmente se havia acumulado nas imediações da cache, lá conseguimos logar mais esta, deixando assim mais um sorriso em Tavira.

No largo de Santa Ana, onde fica a cache com o mesmo nome.
Só de seguida nos aventurámos por Tavira propriamente dita, em busca da cache de Santa Ana [Tavira] (GC1TXGF). Desta vez sim tivemos direito a uma vista mais interessante, num largo bem castiço onde se situa a Rádio Gilão. Aproveitámos para ver melhor as vistas enquanto logávamos mais esta visita.

Seguiu-se, já do outro lado do rio, a cache A Lenda do Rio Gilão/Séqua (GC4V80Q). Obrigando-nos a um pequeno desvio das ruas principais de Tavira, permitiu-nos subir a um pequeno monte que nos permitiu uma vista privilegiada do rio e das duas pontes … assim como as de algumas varandas que os faziam incorrer na prática de um crime de devassa da vida privada se alguém andasse por lá. Felizmente as varandas estavam tão desertas como a Assembleia da República numa sexta-feira à tarde e por isso foi com facilidade que, feita a cache, descemos até ao coração de Tavira para ir fazer a “Tavira, A Bela” (GC3QDZY)

Será apenas importante referir que esta nossa agenda tinha passado ao lado de multi-caches, pelo que apenas temos aqui sugestões de caches tradicionais que não implicam andar munido de uma calculadora e bloco de notas. Essas deixamos para outra altura!

Junto ao Rio Gilão, depois de ter feito a cache "Tavira, A Bela".

Feita a nota, de referir apenas que a cache “Tavira, A Bela” padece apenas de um mal que já aqui revelámos e que é bem mais comum nas caches urbanas: o perigo dos muggles. A cache está num local bastante movimentado e onde andar à procura de algo poderá dar a impressão errada. Felizmente, utilizando a técnica dos turistas que tiram fotos a tudo e a todos, lá demos com ela de boa saúde. Feito o log aproveitámos apenas para ir tirar umas selfies com o rio como fundo e reparámos numa coisa bem curiosa, que, admito, não era do meu conhecimento: alguém está a tentar fazer da ponte pedonal de Tavira uma ponte ao jeito da de Paris, prendendo lá cadeados com manifestações de amor eterno (ou pelo menos que durem até serem em tão grande número que façam a ponte cair).

Um dos cadeados. Boa sorte com isso Tobi e Moni!

Em seguida avançamos para aquelas que seriam as duas últimas do dia: Estação de Tavira (GC3KFG5) e INEM - Ambulância Suporte Imediato de Vida –Tavira (GC42TJ0). Enquanto a primeira levou-nos, ainda que ao engano, a conhecer o interior da Estação de Comboios da Tavira – bem bonita, por sinal – a segunda levou-nos até perto do Centro de Saúde. Nunca faz mal saber onde se situam estes serviços.

Nós sorridentes junto ao Poço dos Desejos.
Era assim com dez cache feitas em dez planeadas - uma taxa de execução de 100% que nunca tínhamos conseguido obter até hoje, já que havia sempre um DNF (Did Not Find) – que, dadas as horas, decidimos que ainda haveríamos de fazer pelo menos mais uma. Desta vez já não em Tavira, mas em São Brás de Alportel. Era a cache “Poço dos Desejos” que, pelos comentários que haviam sido feitos, tinha um elemento surpresa que a tornavam numa novidade bastante apetecível. Fizemo-nos então à estrada seguindo as coordenadas do parque de estacionamento aconselhado para quem faz então esta cache. Estacionado o cachemobile lá fomos, velozes e afoitos, monte acima por um caminho que nos levou até à tão esperada cache. Não direi muito sobre ela para não estragar a experiência de quem lá for, motivado ou não pelo presente relato, mas posso dizer com alguma autoridade que o mecanismo criado para chegar à cache é uma boa mudança naquela que é a regra da maioria das caches e que implicam andar à procura de um container no chão ou junto a um muro.

Feita esta cache, que fica certamente na memória e será, sempre que possível, aconselhada por nós a amigos geocachers, decidimos ter ainda tempo para mais uma. Apesar de implicar um pequeno desvio, fomos então fazer a do Poço Velho da Mesquita que surge com facilidade vista a imagem spoiler.

Concluímos então a jornada de geocaching com 12 caches em 10 planeadas o que é, para nós, um recorde. Muitos sorrisos ficam ainda por espalhar no mapa, mas cada um que inserimos vale, não apenas pelo facto de termos ficado com mais uma cache feita, mas pela experiência de a encontrar e pelos sítios a que somos levados por esta actividade que apenas lamento não ter começado a fazer mais cedo.

E aos amigos geocachers que lerem este relato, espero que o mesmo vos ajude a determinar um dia também do vosso agrado para que possam também ir deixando os vossos logs por ai. 

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