sábado, 12 de julho de 2014

Spam à antiga!

Uma vista geral da carta.
Apesar de, profissionalmente, ter contactos em outras partes do globo, não é todos os dias que recebo cartas da África do Sul. Aliás, esta foi até a primeira, o que motivou a minha surpresa quando a vi ali estendida no chão do escritório, junto à ranhura por onde entram normalmente as cartas. Inicialmente ainda pensei que a minha fama começava a dar frutos no estrangeiro, mas aberto o envelope que não trazia qualquer referência ao remetente lá me apercebi que estava perante uma missiva bem diferente!

É verdade, eu tinha acabado de receber uma carta de SPAM! Sim, Spam daquele que costumamos receber por email e que o Gmail permite que vá directamente para uma pasta de "Correio Electrónico não desejado". Mas na porta do escritório só tenho uma ranhura e por isso o carteiro meteu mesmo lá a carta! Uma carta que alguém se deu ao trabalho de imprimir, assinar e enviar por correio, gastando dinheiro em selos e no envio! UM SPAM À ANTIGA, PAH!

O conteúdo da mesma não era novidade, até porque já o tinha recebido por email. Desta vez não estava perante nenhum príncipe nigeriano que precisava da minha ajuda, mas de um funcionário de um banco que sabe de uma conta internacional que está parada há alguns anos. Infelizmente, parece que o seu titular, um tal Sr. Cheong, faleceu - ele e a família toda, porque há pessoas com azar - durante o tsunami que há uns anos devastou parte do continente asiático. 

R.I.P. Mr. Benjamin Cheong

Ora, se a conta não for movimentada em breve, diz o prestável funcionário do banco que requer a minha ajuda, a quantia que lá está depositada - e que não são poucos dólares - reverterá a favor do Estado Sul Africano. Ora, é nesse sentido que o tal funcionário requer a minha ajuda num esquema que mais parece tirado de um filme daqueles que dão na SIC durante as madrugadas de Domingo em que um actor como o Steven Seagal interpretaria o meu papel - e onde, eventualmente, eu iria acabar a lutar com alguns familiares do Sr. Cheong, porque o Stevem Seagal tem que mostrar que percebe de artes marciais.


Movido o dinheiro de conta para evitar que caísse nas mãos do Estado Sul Africano, ele ficaria com uma parte, eu com outra e uma outra seria utilizada em despesas com o processo.

Agora, reza a lenda que é esta questão das despesas do processo que normalmente traz água no bico, já que enquanto não é possível mover o dinheiro, o Sr. do Banco pede a nossa ajuda - e por ajuda quero dizer dinheiro - para dar andamento à coisa.

Assinado pelo próprio do Sr. Freedom John Muzi
E se é certo que só muito lá no fundo da minha vivida imaginação é que consigo imaginar que há de facto um Sr.  Muzi algures na África do Sul a pedir a minha ajuda para um esquema que embora ilegal deixar-me-ia bastante rico, há pessoas que muito mais facilmente acreditam nestas conversas e, segundo já li pela internet, chegaram-se a consultar advogados para avançar com a coisa. 

Da minha parte, já sei como funciona o mundo real: não há cá solteiras na minha área a querer conhecer-me, não há príncipes nigerianos a pedir a minha ajuda e nem há nenhum Sr. Cheong que tenha deixado uma pequena fortuna no banco.

Fica, no entanto, uma carta de Spam à antiga no arquivo, para me lembrar que este é um mundo onde pessoas ainda enviam cartas à antiga a tentar passar a perna a outras.

Mário R. Cunha

Sem comentários:

Enviar um comentário